Educação no Estado de São Paulo

Recebi agora a pouco um e-mail resposta sobre uma reclamação que fiz a tanto tempo sobre Educação Publica a Secretaria de Educação Estadual, infelizmente (devido ao tempo que eu escrevi isso) não tenho a primeira parte do e-mail, mas existe uma replica e certamente o assunto vale a pena ser lido.




Sra. Maria Julia,

Antes de tudo grato pela esclarecedora resposta, mas infelizmente esta realidade de "pais preocupados" com a educação de seus filhos é muito pequena, na maioria dos casos que tenho conhecimento onde o aluno tem dificuldade no aprendizado - seus problemas começam em casa, justamente pela falta de atenção que estes pais tem com seus filhos é que existe a dificuldade do aprendizado.

Não sou contra o apoio ao estudo destas crianças, sou contra o método que vejo todos os professores aplicando, acho que até um certo nível é aceitável atrasar a classe por conta de um grupo de alunos, depois deste "nível" os alunos deveriam ser reclassificados para atendimento especializado com professores com maior experiência de ensino e com turmas menores para que os mesmos prestem um bom atendimento.

Outra coisa, da qual certamente vocês não tem conhecimento:
- As escolas municipais estão "elitizando" seus alunos baseando-se no processo de escolha para suas vagas.
... tem lugar primeiro os que já fazem parte da rede municipal, em seguida os que vem de escola particular e por fim os que vem do estado. (Existe alguma justiça nisso?)

Outro problema gravíssimo do Estado:
- Professores concursados, aqueles que fazem a escolha de suas classes no inicio da ano letivo, em seguida tiram licença saúde, ou qualquer outro tipo de licença pelo resto do ano, e estes alunos acabam ficando sem professores, correndo entre os substitutos que são encaminhados a eles durante o ano.
Neste caso 2 problemas: O aluno não aprende, pois quando há a troca dos professores, com tanta frequencia, fica impossível um novo professor assumir do ponto em que o anterior parou. Segundo problema: este professor em licença, gera enormes custos para o Estado, já que não pode dar aula deveria ser encaminhado para outro recurso dentro da educação.

Talvez a Sra. nada possa fazer também quanto a isso, mas é muito chato ser obrigado a aceitar estes fatos e ainda ter que pagar por eles.

Bom, infelizmente fui obrigado a tirar minha filha do ensino publico, gostaria muito de um dia poder confiar neste ensino e assim traze-la de volta, afinal não ganho tanto para isso e já contribuo (e muito) para com o Estado, que infelizmente não me dá um retorno aceitável.

Mais uma vez muito grato por sua atenção,

Att,

Christiano José de Oliveira



On 4/4/07, Maria Julia Ferreira wrote:

Prezado Sr. Christiano José de Oliveira:

As mais recentes legislações e diretrizes educacionais, baseadas nas mais novas teorias e concepções de ensino/aprendizagem/avaliação, assim como a opção de nosso país pela democracia e a inclusão na escola de todos os que a ela têm direito - previsto na Constituição de 1988 - recomendam que instituições, escolas e educadores, garantam a aprendizagem de todos os alunos, conforme seu ritmo, estilo de aprender e necessidades. As pessoas nunca são iguais. Se alguma criança apresenta dificuldades maiores que outras, tanto a escola quanto seus professores devem sim, dar a ela, a oportunidade de receber mais atenção pelo uso de estratégias diferenciadas de ensino na recuperação contínua - em sala de aula - ou na recuperação paralela, além do horário regular. Em muitos casos há professores que estimulam, corretamente, a "monitoria" em sala de aula(com trabalho em duplas ou grupo) onde os alunos com maior facilidade e mais "adiantados" podem ajudar os colegas. Além de otimizar o tempo/espaço da sala de aula, este tipo de atitude também forma para a cidadania participativa, desenvolvendo na prática(não no discurso) o exercício da solidariedade(valor humano cantado em prosa e verso, mas, concretamente, nem sempre exercido).

Por outro lado, entendemos que devia sentir-se feliz como pai de uma criança que tem "facilidade" em aprender. Ao mesmo tempo pedimos que se imagine na situação contrária: se a sua criança tivesse algum tipo de dificuldade, o senhor, como pai, gostaria que a escola e seus professores a deixassem de lado, abandonando-a ao invés de dar-lhe o apoio possível?

Se a sua referência diz respeito o sistema de ciclos - com progressão continuada da aprendizagem - cumpre informá-lo que a rede municipal da capital também utiliza esse sistema. Se a alusão se refere à inclusão de crianças portadoras de necessidades especiais devemos, também, esclarecer que esta diretriz é mundial e nacional, devendo ser adotada em todos os sistemas públicos de ensino, sendo que as escolas que ainda não o fizeram, em algum momento deverão fazê-lo, a menos que em seu entorno não exista nenhuma criança nestas condições. Como a sociedade pode ser inclusiva e respeitar as diferenças se isso também não começar a acontecer na escola?

Finalmente, Sr. Christiano, queremos nos desculpar pela demora na resposta. O grande número de demandas(consultas, elogios, críticas, sugestões)nos impede maior agilidade, e fazemos questão de dar a cada um a devida e merecida atenção.

Obrigada por entrar em contato conosco. Expressar sua discordância também é um direito seu como cidadão - que respeitamos, pois vivemos em regime democrático - e nos permite formular esclarecimentos apresentando outros pontos de vista.

Atenciosamente,
Maria Julia Filgueira Ferreira
Equipe Técnica da SEE/SP/CENP


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